13 janeiro 2016

AMAMENTAÇÃO

amamentação


Oi, gente, tudo bem?

Quero compartilhar com vocês hoje a minha curta experiência de amamentação.
Essa semana minhas redes sociais estão bombando com esse assunto e eu não poderia deixar de contar a minha experiência.
Como toda mãe de primeira viagem, durante toda a minha gestação eu li e ouvi sobre muitas coisas envolvendo a amamentação, sobre o quanto era doloroso e sofrido, que tinha que ter todo o cuidado necessário com os mamilos desde o início da gestação, como comprar pomadas específicas, simpatias e demais coisas que no meu ver não eram necessárias. Eu não dei ouvido para nada, passei toda a minha gestação tranquila nesse quesito.
 Mas aí eis que acontece o que eu menos esperava, tive problemas com a amamentação no exato momento que a Clarinha nasceu, mas o motivo não foi por não ter o cuidado que eu deveria ter tido, mas sim por conta do probleminha que a Clarinha nasceu, ela veio ao mundo com 2.800kg, mas parecia um bebê prematuro de tão pequenina, já na primeira mamada descobrimos que ela havia nascido com problema de sucção, e isso para mim foi um completo desespero. Durante os três dias que eu passei na maternidade tive todo o apoio médico, as enfermeiras estiveram comigo o tempo todo me auxiliando, pois o problema não estava em como era o formato dos meus mamilos, ou como eu a amamentava, mas sim a maneira em que a Maria Clara sugava. No primeiro dia de vida ela passou por exames básicos, e até fez um teste com a fonoaudióloga, porém o problema persistiu e no segundo dia tivemos que introduzir a fórmula artificial na seringa, e ela ficou em “observação” com soro intravenoso, pois a Maria Clara já dava sinais que a glicose dela estava abaixo do normal.
Como ela estava perdendo peso, os médicos queriam entuba-la para que ela pudesse se alimentar. Eu lembro o tamanho do meu desespero com isso, pois eu sabia que se abaixasse demais a hipoglicemia da Clarinha havia o risco de ter convulsões ou até mesmo lesões cerebrais.
Eu tentava amamentar de todas as formas possíveis, mas não tinha sucesso. No terceiro dia, por um verdadeiro milagre ela teve uma melhora no exame e eu consegui amamentar, não foi lá grande coisa, mas como o porcentual da glicose havia aumentado consideravelmente fomos  liberadas para enfim ir para casa.
Os 4 primeiros dias que estivemos em casa foi o meu pior pesadelo, pois o que eu tinha conseguido amamentar foi pelos ares e voltamos a estaca zero. Clarinha não conseguia abocanhar toda a aureola do seio, e com isso comecei a ter fissuras horríveis. Eu tinha leite para matar a fome de quadrigêmeos se necessário, mas não para saciar a fome da minha própria filha.
Na primeira consulta de rotina, Maria Clara “gorfou” um liquido escuro, o que me causou um desespero no mesmo instante, ela foi encaminhada para o setor de internamento e fizeram mais uma bateria de exames nela.
Meu coração sangrava por dentro, afinal, Clarinha estava com 7 dias de vida, perdendo o pouco de peso que tinha e eu não podia ficar com ninguém para me dar um auxilio com ela, o meu emocional estava extremamente abalado. Minha mãe me acompanhou até o hospital, mas não pode ficar comigo, lembro exatamente de quando fecharam a porta e cada uma ficou de um lado, a enfermeira me guiou até o quarto onde a Clarinha ficaria, e eu só conseguia pensar: como vou lidar com isso sem minha mãe, aqui?
À noite na hora das visitas o Rodrigo foi nos ver, e aí caí em lágrimas...
Eu me sentia tão impotente, culpada, me sentia um ser impuro. Eu pensava que a culpa dela estar daquele jeitinho era toda minha. Eu a via no bercinho e não conseguia entender o porquê um serzinho tão indefeso tem que sofrer já que nasce.
No dia seguinte veio os resultados dos exames da Maria Clara e constou não era nada grave. Ficamos de observação durante mais um dia e fomos embora.
Em casa eu persisti na amamentação durante um mês. Chorei, gritei toda a vez que a Clarinha encostava no meu seio, eu via meu seio sangrar. Tive inicio de mastite, usei conchas para o seio, fiz de tudo.
 Como eu tinha leite para esbanjar, eu tirava o leite para poder dar na mamadeira para ela, e foi aí que as coisas começaram a dar certo. Compramos uma mamadeira com bico ortodôntico, e ela foi se adaptando, mas o pouco leite que eu conseguia tirar não estava sendo o suficiente para ela ganhar peso e aumentar o porcentual de hipoglicemia, então fui ao método que toda mãe teme, a fórmula artificial.  
Quando ela começou a tomar a fórmula para mim foi um alivio poder ver ela se alimentando bem e ganhando peso, de outro lado me sentia culpada por saber que eu não pude saciar minha filha.

Maria Clara não teve cólicas no curto tempo que mamou no peito e nem quando foi para a fórmula artificial. Creio que eu tive sorte em relação a isso.

A amamentação não é algo fácil, tem crianças que assim como a Clarinha nascem com problema de sucção, e a mãe não deve se culpar eu fiz na época. Tem mães que tem o bico do seio invertido o que dificulta a amamentação também. São diversos fatores que influenciam.

Hoje depois um bom tempo eu não me culpo de não ter amamentado a Clarinha, tenho comigo que dei o meu melhor e fiz o que pude por ela com amor, preferi introduzir a fórmula ao invés de vê-la chorando de fome com dificuldade de sugar.

Toda mãe tem suas neuroses e com o tempo passam, hoje entendo e não julgo mães que não amamentam, sei que todas as mães fazem o melhor por seus filhos com todo o amor do mundo.

A maternagem é cheia de altos e baixos e vamos compartilhando isso aqui.

Até semana que vem.




Tairine Vieira, 23 anos, mãe, curitibana, viciada em Grey’s Anatomy e ariana. Não tenho preconceitos com músicas, filmes ou qualquer coisa que seja. Acho que toda história (boa ou não) merece ser contada, por isso estou aqui. Certa vez analisaram minha caligrafia, e disseram que a letra não encosta na linha porque eu sonho demais, o que é verdade, afinal, pés no chão, não é comigo. Eu acredito que o ser humano é movido a paixões, amores e sonhos. Tenho um enorme defeito, rir de tudo que não posso e na hora errada. Costumo me dar ao luxo de passar os domingos de pijama vendo séries e filmes o dia todo. Sou fissurada em fotografias, e amo enxergar a simplicidade nos pequenos detalhes.
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